Dos bailes aos desfiles, Joinville celebra o Carnaval há mais de 160 anos
- joinvilleinformaco
- há 4 horas
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Se hoje o Desfile das Escolas de Samba de Joinville conta com carros alegóricos, baterias afinadas e uma competição acirrada, em 1865, o cenário era diferente. É desse ano o primeiro registro do Carnaval joinvilense, mostrando que a cidade tem uma extensa história carnavalesca e, sobretudo, que mantém viva essa cultura há mais de 160 anos.
“Para quem acha que Joinville não tem tradição ou que o joinvilense não gosta do Carnaval, nós temos registros no Arquivo Histórico que comprovam que a tradição é dos primeiros anos da Colônia Dona Francisca”, conta Dilney Cunha, historiador e coordenador do Arquivo Histórico de Joinville.
Em 5 de março de 1865, o jornal Kolonie Zeitung, escrito em alemão, trazia um anúncio convidando a população para a festa. “Era para comemorar a festa de Dionísio e Baco, deuses da alegria e do vinho, que são as raízes do Carnaval na Europa”, fala Dilney. Era o primeiro registro do Carnaval joinvilense, ainda que pouco abrasileirado.

No final do século XIX, os foliões joinvilenses já se divertiam tanto nos clubes, com bailes de máscaras e à fantasia, quanto nas ruas, com as chamadas passeatas, o equivalente aos blocos atuais. Em 1882, um jornal registrou a “primeira vez em que se colocou em uso a prática da mascarada carnavalesca” em um clube da cidade.
“Nesses primeiros 50 anos de história da cidade, há inúmeros documentos que comprovam a tradição do Carnaval em Joinville, tanto por parte da população de origem germânica quanto da população de origem afro e luso-brasileira”, detalha o historiador. No Arquivo Histórico, é possível acessar fotos e registros de jornais sobre a folia ao longo dos anos.
*Entrudo, corso e os primeiros carros alegóricos*
Outra manifestação popular carnavalesca que fez sucesso no início do século XX em Joinville foi o entrudo. “A população andava pelas ruas centrais arremessando os famosos limões de cheiro, que eram bolinhas de cera onde se colocavam líquidos, alguns perfumados e outros nem tanto. Além disso, jogavam baldes de água ou de farinha, tudo na brincadeira, para comemorar essa época do ano”, explica Dilney.
Brincadeira ou não, o entrudo não agradava todo mundo, tanto que chegou a ser proibido em 1917, inclusive com multa para o infrator. Mas esse não foi o fim da festa, já que na mesma época existia o corso. “São os desfiles pelo Centro com automóveis e caminhões e, em vez de jogar os limões de cheiro, começaram a jogar os confetes”, fala Dilney.
Os desfiles com carros alegóricos também datam da mesma época. Há registros de que, em 1914, o desfile do grupo Vagalumes contou com seis carros alegóricos que impressionaram o público pela criatividade.
*Bateria e samba no pé no Carnaval de Joinville*
O Carnaval de Joinville como conhecemos hoje começou a tomar forma no final da década de 1960, com a criação da Escola de Samba Amigos do Kênia, atual Príncipes do Samba. Naquela época, os amigos que se reuniam no Kênia, único clube negro de Joinville, tiveram a ideia de sair em batucada pelas ruas da cidade, ainda que de improviso, sem fantasias ou alegorias, mas já com um samba afiado.
Pouco tempo depois, foram fundadas a Acadêmicos do Serrinha e a Unidos do Boa Vista, que se uniram à Amigos do Kênia em desfiles com edições competitivas.
“Assim vem a tradição do Carnaval brasileiro, do samba se estabelecendo na cidade e os desfiles de rua. Nos anos 1980, há registro de 25 a 30 mil pessoas assistindo aos desfiles nas ruas centrais, principalmente na Rua do Príncipe”, lembra Dilney.
De lá para cá, novas escolas foram criadas e o samba segue nos pés dos joinvilenses, em uma cultura repleta de história e significado, que deixou os clubes para ganhar as ruas da cidade.
*Carnaval de 2026 retoma o desfile competitivo*
Em 2026, o Carnaval de Joinville retoma o desfile competitivo após uma década. Quatro escolas de samba participam da disputa marcada para o dia 7 de fevereiro, a partir das 18h, na avenida Beira Rio: Associação Recreativa Escola Fusão do Samba, Escola de Samba Príncipes do Samba, Grêmio Recreativo e Cultural Escola de Samba Unidos pela Diversidade e Grêmio Recreativo e Escola de Samba Unidos do Caldeirão.
Já no dia seguinte, 8 de fevereiro, ocorre a apuração do desfile, no Centreventos Cau Hansen, a partir das 15h. No mesmo local, haverá o Carnaval da Família, com baile infantil e atividades para os pets no Expocentro Edmundo Doubrawa. Além disso, o domingo também terá o encontro dos blocos, com concentração a partir das 10h na Praça da Bandeira.











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